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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Meu castelo cor de rosa






Eu cresci presa em um enorme castelo cor de rosa, habitava meu luxuoso quarto de cristal, na torre mais alta e distante. Indiferente a realidade, a verdade, ao mundo em sua verdade sombria e realista. Senti o sangue dos guerreiros escorrerem por entre meus dedos, sentindo sua textura espessa e o calor que continham, senti o cheiro intenso, muitas vezes fétido. Mas eu nada realmente senti. Não me compadeci da dor alheia, não usei de compaixão, apenas encarei do alto da torre do meu castelo, protegida pelo cristal tão frágil. Clamaram-me, suplicaram-me por socorro, eu surda me fiz. Indiferente a qualquer horizonte que meus olhos não alcançassem enquanto eu silenciosamente apreciava o fim, na minha torre isolada. Guardei as essências, sem nutrir sentimentos, sentia algo gélido por minhas veias, onde deveria correr algo quente e acolhedor, onde deveria estar minha alma, aquela que ficou presa no alto da torre de cristal, do meu castelo cor de rosa. Sem preparo a mim dedicado, sem verdade nos meus olhos, sem sentimentos abrigando meu coração, apenas a indiferença de viver numa torre de cristal. Nem a famosa conseguira tal, a famosa por habitar uma torre alta, ela não tinha um castelo cor de rosa, não estava em sua torre protegida por um frágil cristal, ela estava atenta a realidade, ligada ao mundo negro, sem nada que a protegesse, que a poupasse. Ela não tinha um castelo cor de rosa. Poucos saberiam quão bem faria viver em um castelo cor de rosa, em sua torre alta, reforçada pelo frágil cristal, indiferente a qualquer outro sentimento, que não o seu não existente. Ninguém sabia como era morar em uma bola de cristal, que quando partida, teria cheiro de tragédia. Eles não tinham a proteção de uma torre alta revestida de cristal.





FEITO POR: FERNANDA ROMANO 

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