Eu cresci presa em um
enorme castelo cor de rosa, habitava meu luxuoso quarto de cristal, na torre
mais alta e distante. Indiferente a realidade, a verdade, ao mundo em sua
verdade sombria e realista. Senti o sangue dos guerreiros escorrerem por entre
meus dedos, sentindo sua textura espessa e o calor que continham, senti o
cheiro intenso, muitas vezes fétido. Mas eu nada realmente senti. Não me
compadeci da dor alheia, não usei de compaixão, apenas encarei do alto da torre
do meu castelo, protegida pelo cristal tão frágil. Clamaram-me, suplicaram-me
por socorro, eu surda me fiz. Indiferente a qualquer horizonte que meus olhos
não alcançassem enquanto eu silenciosamente apreciava o fim, na minha torre
isolada. Guardei as essências, sem nutrir sentimentos, sentia algo gélido por
minhas veias, onde deveria correr algo quente e acolhedor, onde deveria estar
minha alma, aquela que ficou presa no alto da torre de cristal, do meu castelo
cor de rosa. Sem preparo a mim dedicado, sem verdade nos meus olhos, sem
sentimentos abrigando meu coração, apenas a indiferença de viver numa torre de
cristal. Nem a famosa conseguira tal, a famosa por habitar uma torre alta, ela
não tinha um castelo cor de rosa, não estava em sua torre protegida por um
frágil cristal, ela estava atenta a realidade, ligada ao mundo negro, sem nada
que a protegesse, que a poupasse. Ela não tinha um castelo cor de rosa. Poucos
saberiam quão bem faria viver em um castelo cor de rosa, em sua torre alta,
reforçada pelo frágil cristal, indiferente a qualquer outro sentimento, que não
o seu não existente. Ninguém sabia como era morar em uma bola de cristal, que
quando partida, teria cheiro de tragédia. Eles não tinham a proteção de uma
torre alta revestida de cristal.
FEITO POR: FERNANDA ROMANO

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